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A esperança equilibrista

Autor: Pere Petit.

A trajetória do PT no Pará.

"[...] O autor se expõe, ousa explicações que superam os limites de um texto acadêmico. Sua posição de observador direto e participante é explicitada. Ao fazê-lo, não perde ou compromete o rigor da análise. Adota com eqüidade os procedimentos elementares do trabalho de pesquisa, seja entrevistando, seja resgatando documentalmente informações da história política." Alfredo Wagner B. de Almeida A esperança equilibrista retrata um espaço alternativo àquele presente na maioria dos estudos realizados sobre o Partido dos Trabalhadores, centrados no local que foi seu berço - o estado de São Paulo - e no papel desempenhado pelas lideranças sindicais urbanas em sua construção.

Neste livro, Pere Petit analisa - com rigor, porém sem se abster de tomar posição - a atuação de setores progressistas da Igreja Católica, organizações e ex-militantes da esquerda revolucionária, dirigentes de sindicatos de trabalhadores rurais e sindicalistas de Belém na trajetória do PT no Pará.


Exemplares da 1ª edição de 1996. Pode apresentar sinais de envelhecimento.


FICHA DO LIVRO

Autor: Pere Petit

Editora: Boitempo
Ano: 1996
Páginas: 264

Gênero: HistóriaPolítica

ISBN: 85-85934-11-5

Sobre o autor: Pere Petit, historiador catalão formado na Universidade de Barcelona e mestre em História da América Contemporânea pela Universidade Central da Venezuela, é doutorando em História Econômica pela Universidade de São Paulo e professor do departamento de História da Universidade Federal do Pará.  


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Vila Madalena

Autor: Enio Squeff.

Crônica histórica e sentimental.

 Enio Squeff, um gaúcho apaixonado pelo bairro que retratou em prosa e imagens coloridas de suas aquarelas, optou por não tentar uma história do bairro. Preferiu o registro em formato de crônicas, onde ficção e memórias pessoais se entrelaçam quase indistintamente para recriar o fascínio de um bairro que soube passar de um pacato subdistrito do tradicional bairro de Pinheiros a um centro de efervescência cultural, artística e boêmia.

A Vila Madalena passou ao largo da cobiça imobiliária paulistana durante um bom tempo. Isso possivelmente justifica o fato de que artistas, intelectuais, boêmios e estudantes começassem a por ali se instalar, atraídos pela sua localização privilegiada e pelo baixo valor dos aluguéis.

Enio mostra como a invasão dos novos moradores, a partir dos anos finais da década de 1970, se deu de forma pacífica e tranqüila e sem expulsar os moradores originais, transformando suas ruas, ruelas e becos naquele que provavelmente seja o mais charmoso bairro paulistano.

Talvez a Vila Madalena, por sua fauna inigualável e por sua intensa vida noturna, seja mais propícia para bons contadores de histórias - como Enio Squeff e seu infindável rosário de casos.

Vila Madalena: crônica histórica e sentimental apresenta uma série de aquarelas especialmente preparadas por Enio Squeff para esta edição, além de fotos do bairro em diversas épocas de sua história.


FICHA DO LIVRO

Título: Vila Madalena
Autor: Enio Squeff

Editora: Boitempo
Ano: 2002
Páginas: 208
Peso: 310 g.


ISBN: 85-7559-019-7


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Portinari

Autor: Marilia Balbi.

 O pintor do Brasil.

 Portinari, da pequena Brodósqui, interior de São Paulo, foi o primeiro pintor que revelou a saga dos trabalhadores brasileiros, oprimidos primeiro pelo capataz da fazenda, na lavoura das grandes fazendas do estado de São Paulo. Retratou o homem e o seu trabalho na lavoura da cana, do café, do algodão ao garimpo, imortalizados na pintura do lavrador de café, o mestiço, a colona, a mulher na lida pelo Brasil afora. Como o operário das cidades, o estivador, o sorveteiro, o músico, das festas de Brodósqui aos boêmios do Largo do Machado no Rio de Janeiro. O homem, a mulher, o índio, o negro, a dor, a alegria, a paz e a guerra foram retratados por Candido Portinari.

Foi o primeiro a revelar a dor e a miséria provocada pela seca no Brasil, com os retirantes nordestinos que vinham à pé para Brodósqui, no começo do século XX, fugindo dos tempos difíceis do sertão brasileiro. Sua obra social ganha o mundo com as brincadeiras das crianças de Brodósqui, que ele mesmo as viveu e as eternizou com os painéis Guerra e Paz, na ONU.

Portinari também desvenda a nossa história, a devoção do povo brasileiro, retrata personagens que marcaram profundamente a nossa história, como os amigos Mário de Andrade, Graciliano Ramos, este parceiro no partido comunista brasileiro, entre outros. Perseguido por suas posições políticas, foi sempre fiel da sua obra: “Pinto o meu povo”.



FICHA DO LIVRO

Título: Portinari

Editora: Boitempo
Ano: 2003
Páginas: 176
Peso: 330 g.

GêneroBiografia - Arte

ISBN: 85-7559-039-1


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Brás


 Sotaques e desmemórias.

 O Brás talvez seja o bairro paulistano mais retratado em histórias, fotos, filmes, memórias, músicas e outras narrativas. Porta de entrada dos imigrantes estrangeiros, que tinham sua primeira parada na Hospedaria dos Imigrantes, prédio hoje transformado em um museu que registra a história dos movimentos migratórios, o Brás é também o berço do mais popular esporte brasileiro, o futebol. Foi lá que nasceu Charles Miller, paulistano filho e neto de ingleses que, ao voltar de seus anos de estudo na Inglaterra, trouxe ao Brasil as primeiras bolas de “capotão” com as quais ensinaria as poucas regras do “esporte bretão” aos funcionários da primeira ferrovia paulista, a São Paulo Railway, onde iria trabalhar.

O escritor e jornalista Lourenço Diaféria, ao retratar o bairro do Brás para a série Trilhas da coleção Paulicéia, evita atribuir-se o papel de historiador ou de sociólogo. Prefere o registro em forma de testemunho, e apresenta ao leitor um pedaço vasto e extremamente pessoal de São Paulo, sem falsos sentimentalismos ou saudosismos. Percorre as ruas da região com a mesma sem-cerimônia com que descreve as pernas de Isaurinha Garcia, os milagres do Padre Eustáquio, o assassinato do sapateiro Martinez durante a greve de 1917, as pizzas do famoso restaurante Castelões e as lojas da rua do Gasômetro.

Lourenço evita o pitoresco, o típico e o exótico. Com simplicidade e leveza, revê o lugar em que nasceu com os mesmos olhos do garoto que não fazia idéia de que aquilo fôsse um bairro. Não por acaso, prefere chamar suas lembranças de desmemórias e destaca a sonoridade dos diferentes sotaques do bairro, para registrar as falas e as vidas dos muitos homens e mulheres, desde os portugueses, espanhóis e italianos dos primeiros anos do século XX, até os nordestinos de tempos mais recentes, que ajudaram a fazer do Brás um lugar que é redescoberto e recriado pelo texto sensível de Lourenço Diaféria.

Brás – sotaques e desmemórias apresenta fotos antigas e recentes do bairro do Brás e de sua gente.


FICHA DO LIVRO

Título: Brás

Editora: Boitempo
Ano: 2002
Páginas: 200
Peso: 300 g.


ISBN: 85-7559-022-7


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A Arte do Combate


 A literatura alemã em cento e poucas chispas poéticas e outros tantos comentários

 A arte do combate: a literatura alemã em cento e poucas chispas poéticas e outros tantos comentários, de Marcelo Backes, é um livro sem precedentes no Brasil. Didático e espirituoso, enciclopédico e combativo ao mesmo tempo, reúne poesias, fábulas, cartas, excertos, epigramas e aforismos dos mais representativos autores alemães do período entre Lutero (1483-1546) e Brecht (1898-1956).

A todos os textos segue um comentário do autor, em que ele apresenta resumidamente o escritor, sua obra e o trecho compilado. Ao longo do livro, Backes faz também uma reflexão acerca do que considera ser a falta de combatividade típica da literatura brasileira. Backes apresenta – sempre que o gênero for mencionado pela primeira vez – uma breve história do aforismo, do epigrama, da fábula, do diário e dos outros gêneros mais caracteristicamente combativos da literatura universal.

O ponto de partida para a seleção é a língua alemã, elemento que unifica todos os autores. Comparecem, portanto, autores não apenas da Alemanha mas também da Áustria e da Suíça. Marcelo Backes inclui alguns nomes esquecidos, como Jean Paul, Karl Kraus e Alfred Kerr, outros que jamais foram estudados no Brasil, como Johann Nestroy, Moritz Saphir e Richard Dehmel, e faz referências a todos os escritores de alguma importância, dos primórdios da literatura germânica, no século VIII, aos dias de hoje - além, é claro, de grandes nomes como Kafka, Marx, Schopenhauer, Goethe, Schiller, Thomas Mann, Brecht e muitos outros.

Este livro intensamente lírico e erudito – o conceito “chispas poéticas” (dichterische Funken, em alemão) é de Adorno e aparece em seu texto "Discurso sobre lírica e sociedade" – começa com um cânone e termina com um longo ensaio sobre a literatura alemã contemporânea. O posfácio recebe o sonoro título de “Viva a crítica que mete o pau”, no qual o autor comenta com rara ousadia a crítica literária brasileira atual, confrontando-a à opulência da crítica alemã, e que, de certa forma, explica o livro. Um cuidadoso índice remissivo facilita a consulta temática e autoral direta, adquirindo valor de glossário por sua abrangência e detalhismo.

A arte do combate revela que a postura crítica dos autores alemães – desde o poeta medieval Walther von der Vogelweide, passando por Heine, Marx, Schnitzler, Kafka, Kraus e tantos outros – é uma questão de princípio. Todos eles parecem estar de acordo com Heráclito, o filósofo dialético grego, que declarou ser o combate o “pai de todas as coisas”. Para encerrar, este belo livro de Marcelo Backes termina como deveria: com Brecht, o último combatente da arte.





FICHA DO LIVRO

Título:  A Arte do Combate
Autor:
Marcelo Backes

Editora: Boitempo
Ano
: 2003
Páginas: 368

Peso: 570g.

Gênero: Crítica Literária - Literatura Estrangeira

ISBN: 885-7559-010-3



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A Crise Completa

Autor:Lauro Campos.

 A Economia Política do Não.

 A crise econômica mundial, especialmente após o fracasso das políticas neoliberais em várias partes do mundo, está permitindo a busca de novas interpretações sobre o modo de produção capitalista, suas contradições e crises. Nesse sentido, o livro do professor Lauro Campos, A crise completa: a economia política do não, traz uma importante contribuição para quem quer discutir a fundo a natureza desse sistema e o sentido histórico de suas contradições.

O trabalho busca compreender as transformações dos fenômenos sócio-econômicos do capitalismo. As relações polarizadas que constituem a infra-estrutura da economia capitalista revelam as contradições que, por meio de auges e de depressões sucessivas, produzem a história econômica e a história do pensamento econômico capitalista. Sob o aparente desenvolvimento, se produz e desenvolve a crise. Ao lado do trabalho produtivo, que traz lucro e desenvolve as forças produtivas, cresce e se avoluma o trabalho não produtivo, se afirmam as não-mercadorias, não-valores de uso e não-valores em que o trabalho não produtivo se materializa.


FICHA DO LIVRO

Autores: Lauro Campos

Editora: Boitempo
Ano: 2001
Páginas: 346
Peso: 530 g.


ISBN: 85-85934-73-5
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Laços Financeiros na Luta Contra a Pobreza

Autor: Ricardo Abramovay (Org).


 Este livro traz um conjunto de estudos de casos regionais extraordinariamente informativos. Eles perpassam diversas disciplinas e revelam o complexo – e, em grande parte, oculto – mundo das transações financeiras entre os pobres rurais. Estas transações são amplamente difundidas e se apóiam nas necessidades dos domicílios pobres por liquidez, poupança e seguros, que são tanto mais importantes quanto maior a pobreza das famílias, tanto em suas estratégias de consumo como em virtude da pluriatividade que marca suas iniciativas de geração de renda. Não conheço qualquer outro estudo tão detalhado sobre as informações financeiras dos pobres e com tanto rigor analítico. O livro mostra que retirar as transações da rede tradicional de relações sociais que envolve os pobres vai requerer importantes inovações institucionais, que, em grande medida, estão sendo levadas adiante.



FICHA DO LIVRO

AutorRicardo Abramovay (Org).

Editora: Annablume
Páginas: 246
Formato: 14x21 cm

Gênero: Economia - Política

ISBN: 85-7419-470-0

Índice

Apresentação - Paul Singer

I - Introdução Geral 
A densa vida financeira das familias pobres- Ricardo Abramovay

II - Experiências e Diversidade

As demandas financeiras dos agricultores do sertão do Pajeú - Mônica Schröder

Crédito rural e economia solidária no Sub-Médio São Francisco - Julio Cesar Lima Dias e João Helder Diniz
Diversidade dos serviços financeiros no Cariri Cearense - Rodrigo Gravina Prates Junqueira
 
O cooperativismo de crédito mútuo em Chapecó - Bonnie Brusky

III - Rumos
Planejamento de serviços financeiros para famílias de baixa renda - Reginaldo Sales Magalhães
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Semana de 22


 Entre vaias e aplausos.

 Tema privilegiado da historiografia contemporânea, a Semana de 22 voltou ao centro do palco no ano em se comemoraram os 80 anos do movimento. Uma infinidade de artigos, análises, entrevistas, documentários, programas de rádio e de TV foram realizados ao longo do ano de 2002, procurando lançar luzes sobre o conjunto de ações que se tornou um marco da história cultural paulista e brasileira.

Patuscada ou revolução estética? Oitenta anos depois da ruidosa manifestação de jovens intelectuais, realizada no histórico fevereiro de 1922, a questão permanece.

Afinal, como a própria autora se pergunta na introdução a este livro da Coleção Paulicéia, dedicado ao principal ícone do fenômeno modernista brasileiro, “por que um evento que acarretou um prejuízo considerável a seus organizadores, foi difamado por boa parte da imprensa da época, recebeu mais vaias que aplausos continua despertando tanto interesse?"

Para responder a essa questão, Marcia Camargos mergulhou no universo intelectual da época, vasculhou um grande número de documentos e consultou uma vasta bibliografia sobre a Semana de 22. Mais do que detectar causas e efeitos, ou simplesmente relatar os fatos, Marcia procurou mostrar o festival modernista sobre diversos ângulos, numa abordagem crítica que revela aspectos pouco visitados pela bibliografia e aponta algumas ambigüidades do movimento e da reflexão que este provocou.

Com um texto jornalístico leve e saboroso, Marcia se propõe desmistificar a Semana de Arte Moderna, “sem, no entanto, negar sua feição de alegre desafio aos padrões vigentes, nem sua contribuição efetiva para as transformações que se processaram no campo das artes”, jogando novas luzes sobre o movimento que, entre vaias e aplausos, conquistou seu lugar definitivo no panorama cultural da Paulicéia e do país.





FICHA DO LIVRO

Título: Semana de 22
Autor: Marcia Camargos


Editora: Boitempo
Ano
: 2002
Páginas: 184

Peso: 270g.

Gênero: Arte - História - Cultura

ISBN: 85-7559-020-0



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O Banco Mundial e a Terra

Ofensiva e Resistência na América Latina, Africa e Ásia.

 Uma análise das políticas do Banco Mundial (Bird) para a reforma agrária nos países pobres, feita por especialistas de ONGs, entidades de pesquisa e movimentos sociais dos países que sofrem os efeitos desta política. Este é o livro O Banco Mundial e a terra organizado por Mônica Dias Martins e lançado pelo selo Viramundo da editora Boitempo, com apoio da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

O livro denuncia como o Banco Mundial, que na retórica “promove” a reforma agrária, na prática usa seu poder de financiamento para estabelecer as mesmas políticas em todo mundo, cooptando os estados nacionais para promover um “mercado de terras”, com a privatização das áreas públicas, comunais, águas e florestas, aplicando um modelo inviável de reforma agrária através de financiamentos com juros e condições impagáveis que acabam tendo o resultado oposto à uma reforma agrária: maior concentração de terras e êxodo rural.

Muitas pesquisas independentes indicam que os projetos do Banco Mundial não têm sido bem sucedidos, apresentando problemas econômicos, sociais e ambientais. Entretanto, eles permanecem como parte estratégica de um projeto maior que visa garantir as bases para a expansão do neoliberalismo.

A grande semelhança entre as fórmulas aplicadas pelo Banco Mundial e seus impactos negativos em diversos países gerou um movimento internacional de oposição à política de “reforma agrária de mercado”. Muitas organizações – como a Via Campesina, a Rede de Ação e Pesquisa sobre a Terra e a FIAN (Foodfirst Information & Action Network) – iniciaram uma articulação com o objetivo de sistematizar e divulgar tanto as denúncias sobre os projetos do Banco Mundial como as propostas construídas a partir das experiências dos movimentos de trabalhadores rurais.



FICHA DO LIVRO
 
Título: O Banco Mundial e a Terra  
Autor: Mônica Dias Martins (org.)
 


Editora: Boitempo
Ano
: 2004
Páginas: 224
 

Gênero: Ciências Sociais - Questão Agrária - Economia

ISBN: 85-87767-17-8




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Florestan


  O jornalista Haroldo Ceravolo Sereza, num estilo claro e fluente, percorre os principais pontos da vida intelectual e política de Florestan, da vida pessoal, da evolução da sua obra acadêmica e da militância do fundador da Escola Paulista de Sociologia.

Ao longo dessa trajetória, o autor trata das relações de Florestan com Oswald de Andrade, Roger Bastide, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Lula, o PT, de seu exílio no Canadá, e da amizade com Antonio Candido. Como não podia deixar de ser, tratando-se de Florestan Fernandes, o livro acaba sendo também um depoimento sobre a história da Universidade de São Paulo e do ambiente intelectual na cidade a partir da década de 1930.

Com imagens inéditas, narra a infância e a trajetória de Florestan - que, filho de mãe solteira e imigrante, viveu em cortiços e começou a trabalhar aos 6 anos - e como sua história se confunde com a história da USP. Fundada pela e para a elite paulista, a universidade acabou tendo seus aspectos mais originais e interessantes justamente nas fissuras desse plano, quando pessoas de origem social e visão de mundo muito distintas dos liberais conservadores paulistas que a criaram passaram a freqüentá-la.

Ninguém personifica as qualidades, as possibilidades frustradas e as contradições desse projeto de universidade melhor que Florestan Fernandes: por sua disciplina e sua dedicação à construção das ciências sociais no Brasil, por seu crescente engajamento na vida pública e por sua luta contra a repressão ao pensamento crítico deflagrada pela burguesia conservadora, por meio dos militares, após o golpe de 1964. Essa perseguição culminou na sua aposentadoria compulsória da universidade, em 1968, com o AI-5.

Daí surge um Florestan ainda mais forte na atividade de intelectual público, pensador político, jornalista e editor. Ele acabaria se filiando ao PT, não sem antes dizer que não se curvaria ao “Deus operário” (referia-se a Lula) e apontar os riscos de o partido guinar para a socialdemocracia.

Um livro essencial para entender a trajetória de um intelectual que somou a dedicação e o rigor de uma importante obra acadêmica com as lutas políticas fundamentais do seu tempo.



FICHA DO LIVRO
 
Editora: Boitempo
Ano
: 2005
Páginas: 240

Gênero: Ciências Sociais - Biografia


ISBN: 5-7559-075-8



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