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Cansaço, a longa estação






 Luiz Bernardo Pericás, historiador e autor do elogiado Os cangaceiros: ensaios de interpretação histórica (Boitempo, 2010), o qual recebeu menção honrosa do Premio Casa de Las Américas, de Cuba, retorna às livrarias com o romance Cansaço, a longa estação. Ambientado em um sertão imaginário, mágico e mitológico, em algum momento entre o final do século XIX e o começo do XX, o livro conta a história do único encontro entre Punaré e Baraúna, dois rapazes apaixonados pela mesma moça, Cicica. A partir daí, uma mudança radical ocorrerá na vida desses três personagens cansados do calor sufocante, da rotina de imobilidade, da falta de perspectivas, da opressão e do ambiente à sua volta (o próprio inferno). Em duas narrativas paralelas que aos poucos vão se enovelando uma na outra, Punaré e Baraúna comovem com suas inquietações e fantasias, um triângulo amoroso e dois olhares diferentes sobre a mesma realidade.

Pericás presenteia o leitor com uma narrativa e linguagem próprias do sertão, cobrindo de estranheza e mistério a realidade. O vocabulário, explicado em um extenso e instigante glossário, é também um protagonista na ficção do historiador, que, imerso na experiência sertaneja e cangaceira, traz à tona um rico repertório de “palavras reunidas num fraseado melódico ao mesmo tempo fluido e truncado como, de resto, é a vida no sertão”, conforme explica no texto de orelha o professor de literatura brasileira e pesquisador da USP Flávio Aguiar. “É uma viagem no espaço e no tempo, e também nos vários registros linguísticos de nosso país, em particular do seu mundo rústico.”

O universo sertanejo de Pericás está no agrume (aquilo que é agre, amargo), na garrucha (arma de fogo que se carregava pela boca) e na girumba (cachaça), entre tantas outras palavras de raiz popular que revelam a cultura e a história regionais. “Ao final, se o leitor quiser, poderá comparar texto e glossário. Mas primeiro se deixe envolver pela prosa original e segura de Luiz Bernardo Pericás”, aconselha Aguiar.

As xilogravuras que ilustram a capa e o texto são de Fabrício Lopez. 

Acesse: http://pueblolivraria.com.br

FICHA DO LIVRO


Editora: Boitempo
Ano
: 2012
Páginas: 96


ISBN: 978-85-7559-192-5



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Clarice Lispector e a encenação da escritura


 
Em "A via crucis do corpo".

  O interesse da autora em relação ao livro A via crucis do corpo, de Clarice Lispector, lançado em 1974, deve-se, num primeiro momento, ao fato de o mesmo ter sido considerado uma "obra menor", um "desvio" ou, até mesmo, um "lixo", quando comparado às demais publicações da autora, por ter sido escrito "por encomenda", "às pressas", num período em que a escritora passava por dificuldades financeiras. Buscando suscitar elementos que permitam a (re)avaliação dessa visão, Nilze Reguera apresenta uma leitura da obra sob a perspectiva da encenação, considerando como a simulação ("parecer" e "não-ser") e a dissimulação ("não-parecer" e "ser") se entrelaçam no texto.

FICHA DO LIVRO


Editora: Unesp
Páginas: 288
Edição: 1ª
Ano: 2006
Peso: 340g

Gênero: Crítica Literária  - Literatura Brasileira

ISBN: 8571396965


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O Cão do sertão

Autor: Luiz Roncari.
 
 
Literatura e engajamento: ensaios sobre Guimarães Rosa, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade
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  Os ensaios que compõem este livro foram escritos ao longo dos últimos quinze anos. Apesar de terem tido distintas motivações e sido produzidos em diferentes tempos, eles possuem alguns elementos comuns fortes, temáticos e metodológicos, os quais lhes dão também unidade e organicidade. O nome do livro, O Cão do Sertão, tirado do título do primeiro ensaio sobre Guimarães Rosa, "O cão do sertão no arraial do Ão", serve de fato para identificar o seu conjunto, pois ele se refere ao poder desmesurado do homem na sociedade patriarcal brasileira, ou seja, à forma descompensada de vivência do amor pelos homens e pelas mulheres, motivo que atravessa a maior parte dos estudos.


FICHA DO LIVRO

Autor: Luiz Roncari

Editora: Unesp
Páginas: 304
Edição: 1ª
Ano: 2007
Peso: 477 g

Gênero: Crítica Literária  - Literatura Brasileira

ISBN: 9788571397477


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Anita



 Anita é um romance do gaúcho Flávio Aguiar que tem como pano de fundo a vida das personagens históricas Anita e Giuseppe Garibaldi, suas lutas republicanas no sul do Brasil, pela independência do Uruguai e reunificação italiana.

Sabendo que o romance de uma vida é feito de muitas vidas, Flávio Aguiar trouxe um personagem coadjuvante para o centro da narrativa, “o mulato Costa”, colocando-o ao lado do leitor como companheiro de viagem e confidente. Por meio de Costa, o autor tem liberdade para contar a aventura podendo inventar, imaginar, conjeturar e exercer todos os sortilégios de romancista sem necessariamente trair os fatos históricos.

Aguiar fez uma extensa pesquisa para falar sobre Anita e Giuseppe Garibaldi. Mesmo criando, as vidas desses personagens históricos estão retratadas em Anita, com maior ou menor acuidade de acordo com o andamento da trama, baseada em sólidos estudos do autor.

Anita é um romance de aventura, de amor e de paixão pela liberdade. Trata-se de um épico em que os destinos individuais aparecem de encontro à formação das nações modernas e suas contradições, refletindo também sobre as complexas relações entre arte e história.



FICHA DO LIVRO

Título: Anita

Editora: Boitempo
Ano: 1999
Páginas: 336


ISBN: 85-85934-38-7



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Álbum de Leitura

 
 
Memórias de vida, histórias de leitoras
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  A autora percorre a história de vida e de leitura de um grupo de escritoras brasileiras nascidas entre 1843 e 1916, como Maria José Dupré e Zélia Gattai. A literatura feminina e autobiográfica dessas mulheres é a base para identificar os seus percursos. Conquistar o direito à alfabetização, escolarização, profissionalização e participação na vida pública foi uma dura batalha para a mulher. Para conhecer a fundo esse universo, este livro se debruça sobre doze depoimentos produzidos por escritoras nascidas entre 1843 e 1916, vivendo em várias regiões do Brasil e com diferentes experiências socioculturais, como Carolina Nabuco, Maria José Dupré e Zélia Gattai. A história da constituição dessas e de outras mulheres, como leitoras e produtoras de textos, é constituída pela autora, que investiga as numerosas dificuldades que elas enfrentaram para construir o seu repertório cultural e para escrever a própria trajetória. O livro enfoca a literatura feminina e autobiográfica para identificar o percurso dessas mulheres. Graças aos retratos de vida e de leitura de cada memorialista investigada, a obra reconstitui as condições, situações, pessoas e contextos que influenciaram a formação das leitoras nos espaços intra e extradomésticos.

FICHA DO LIVRO


Editora: Unesp
Páginas: 498
Edição: 1ª
Ano: 2003

ISBN: 8571394644


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A escola e a letra

Autores: Flávio Aguiar e Og Doria (Orgs).

Quais impressões os mais importantes escritores brasileiros levaram da escola? De que forma os processos de aprendizagem pelos quais passaram deixaram marcas em suas obras? As respostas podem ser descobertas na leitura dos cinqüenta textos que compõem o livro A Escola e a Letra, organizado por Flávio Aguiar e Og Doria, e publicado pela Boitempo Editorial. 

São contos, crônicas, trechos de romances e memórias que juntos, formam um panorama dos pontos de vista de autores como Machado de Assis, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rubem Braga, Clarice Lispector, Osman Lins, Rubem Fonseca, Vinícius de Moraes, Nélida Piñon, Moacyr Scliar, João Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Verissimo, entre outros, sobre a escola.

FICHA DO LIVRO

Autores: Flávio Aguiar e Og Doria (Orgs).

Editora: Boitempo
Páginas: 216
Ano : 2009
Edição : 1ª

ISBN: 978-85-7559-114-7


Sumário:

Introdução - Flávio Aguiar
Apresentação - Og Doria

I Antes de tudo o mais

Testamento do Sumé - Murilo Mendes

II Os tempos coloniais

Escola de Piratininga - Jorge de Lima
Auto da pregação universal - José de Anchieta
Sermão do Espírito Santo - Antônio Vieira
Descreve a vida escolástica - Gregório de Matos
O reino da estupidez (Canto IV) - Francisco de Melo e Franco

III O Império

A moreninha (Capítulo II) - Joaquim Manuel de Macedo
Canção do boêmio - Castro Alves
O Ateneu (Capítulo I) - Raul Pompéia
O Coruja (Capítulo II) - Aluísio de Azevedo
Colégio e Academia - Joaquim Nabuco
O caso da vara - Machado de Assis
A normalista - Adolfo Caminha

IV A República

Plebiscito - Artur Azevedo
Crônica - Olavo Bilac
Harakashy e as escolas de Java - Lima Barreto
O colocador de pronomes - Monteiro Lobato
Memórias sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade
A esperança da pátria - Alcântara Machado
Amar, verbo intransitivo - Mário de Andrade
Teste - Carlos Drummond de Andrade
Capitães da areia - Jorge Amado
Sem rumo (Capítulo XIII) - Cyro Martins
D. Maria - Graciliano Ramos
O Colégio das Ursulinas - Cyro dos Anjos
O árbitro - Menotti del Picchia
Aula de inglês - Rubem Braga
Neurose - Meir Kucinski
A escola do soldado - Boris Schnaiderman
Inventário do primeiro dia - Autran Dourado
Professor Pulquério - José J. Veiga
Meninão do caixote - João Antônio
Os politécnicos - Vinicius de Moraes
Promessa - Ivan Angelo
Os desastres de Sofia - Clarice Lispector
A força humana - Rubem Fonseca
Aventura de saber - Nélida Piñon
O curso de formação de profetas - Moacyr Scliar
Prova final - Manoel Lobato
Os dragões - Murilo Rubião
Solo de clarineta (Capítulo XVIII) - Erico Verissimo
Cursinho - Luis Fernando Verissimo
Camilo Mortágua (Parte 4 do capítulo IV) - Josué Guimarães
Confissões de um brasileiro - Osman Lins
Terra - Roniwalter Jatobá
A última palavra - Flávio Aguiar
O professor de inglês - Luiz Vilela
Gymnasium - Affonso Romano de Sant’Anna
A formação do jovem - João Ubaldo Ribeiro





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Poemas do Povo da Noite

Autor: Pedro Tierra. 

   Reeditado por ocasião dos 30 anos na Anistia, o livro nasceu nos cárceres brasileiros das mãos e do coração de um sobrevivente, Hamilton Pereira da Silva, sob o pseudônimo Pedro Tierra. Escrita em centros de detenção e tortura e nos presídios que receberam prisioneiros políticos nos piores anos da ditadura militar, a obra traz poemas lidos e declamados em reuniões e atos dos movimentos pela Anistia política e pela democracia. Coedição com a Publisher Brasil.
FICHA DO LIVRO

Autor: Pedro Tierra

Editora: Perseu Abramo
Páginas: 247
Ano: 2009
Peso: 390g



ISBN: 9788576430735


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Alguns Ensaios: Filosofia, Literatura e Psicanálise

Autor: Bento Prado Jr..

  Reúne textos que abordam a relação entre Filosofia, Literatura e Psicanálise produzidos em 1968 e nos anos finais do regime militar. Os cinco ensaios que abrem o livro inserem-se num projeto mais abrangente de examinar os pressupostos da Psicologia, por meio da análise particularizada dos esforços teóricos dos principais nomes que enveredaram por essa área: Hume, Skinner, Sartre, Marcuse, Habermas, Ryle e Deleuze. Alguns ensaios traz a marca inconfundível do estilo leve de Bento Prado Jr., que trata com intimidade as três vertentes da filosofia ocidental: a francesa, a alemã e a anglo-saxônica, discorrendo com propriedade sobre os mais variados temas

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FICHA DO LIVRO
Edição:  2º
Ano: 2001
Página: 294

Peso: 350


Gênero: Filosofia - Literatura Brasileira - Psicologia

ISBN: 8521903790


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Café Com Leite

Autora: Luciane Rinco.

 Para continuar com a metáfora alimentar e matinal do título desta história, podemos dizer que ela é de fato muito saborosa e juvenil. De um sabor especial para jovens, que apreciam ler histórias movimentadas e com bom gosto. Esta se passa no fim do século XIX, anos iniciais da República recém-proclamada, envolvendo personagens puramente imaginárias que convivem com figuras históricas, que realmente existiram. A personagem principal é Anna, uma menina pré-adolescente, simpática, desinibida, voluntariosa e, pode-se dizer, pouco obediente aos pais, o que lhe permite, de forma quase intuitiva e muita coragem, duvidar de costumes e de práticas familiares e sociais de seu tempo e do meio em que vive. Uma grande fazenda de café no Vale do Paraíba, região fronteiriça entre os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais é o cenário movimentado das aventuras e histórias vividas por Anna, seus irmãos e primos, seus pais e tios, trabalhadores diversos, Lorenzo (um ex-militar algo misterioso), um fazendeiro inimigo e seus capangas, entre outros. O conflito principal se estabelece entre o pai e o tio de Anna com o coronel Joaquim Rodrigues, fazendeiro vizinho, homem violento, autoritário e mandão, típico “coronel” das regiões rurais brasileiras da época. Nesse conflito as crianças são envolvidas, ameaçadas, perseguidas, sofrendo mesmo pequenas violências. Aí destacam-se as atitudes firmes e corajosas das crianças e as tensões vão acumulando. O personagem Lorenzo também desempenha papel fundamental, tanto questionando as práticas cruéis, senão bárbaras, do conflito, de que participara e se desenrolava no Sul do país, conhecido como Revolução Federalista; como também atraindo o “Marechal de Ferro” para a visita que faz à fazenda dos Francisquini. É decisivo assim para o desenlace dos desentendimentos que envolviam os dois fazendeiros, e da tensão armada na história de Café com leite.
 
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FICHA DO LIVRO

Título: Café Com Leite
Autora: Luciane Rinco

Editora: Nankin Editorial

Ano: 2008
Páginas: 144

Gênero: Literatura Brasileira

ISBN: 9788577510214
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O Bruxo do Cosme Velho - Machado de Assis no Espelho


Machado de Assis, num encontro de críticos e analistas.


Machado de Assis é “um mundo”! Esse poderá ser o comentário de um leitor diante da diversidade das colaborações deste volume, quem sabe com algum laivo de ironia. De fato, aqui estão reunidos vários e variados ensaios em torno de uma mesma figura literária, Machado de Assis. No entanto, o material aqui recolhido não pode ser contemplado como um conjunto diversificado de “leituras” ou de “perspectivas de análises” da obra do escritor, expressões que mais caberiam numa coletânea acadêmica. Passamos a compreender melhor a natureza desta publicação se soubermos que os textos foram apresentados no XV Moitará, reunião organizada pela Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA) de São Paulo, que vem se consagrando como tradição entre os psicanalistas junguianos, deixando as melhores lembranças entre os convidados a cada ano renovados.
O leitor poderá então tirar proveito diferenciado de uns e de outros dentre os textos aqui presentes – um exercício interessante de diálogo dele mesmo, leitor, com os textos machadianos referidos e, por certo, um aguçamento de sua curiosidade em torno da fortuna crítica de Machado de Assis, vista de modo ampliado. Construída desde o século retrasado ela apanha leitores por todo o lado, e já é um capítulo com revelações de interesse sobre os impasses trazidos pela obra do escritor ao longo dos anos. Impasses que resultam do tratamento conferido por Machado à sociedade e ao homem brasileiros, sempre associados ao andamento da experiência internacional do tempo.
Salete de Almeida Cara,
professora do curso de letras da Universidade de São Paulo



FICHA DO LIVRO


Título: O Bruxo do Cosme Velho - Machado de Assis no Espelho
Autores:
Márcia Moura Coelho e Marcos Fleury de Oliveira (org.)

Editora: Alameda Editorial
Páginas: 160

Peso: 240 g

GêneroCrítica Literária - Literatura Brasileira - Psicologia


ISBN :
85-98325-07-4 

Índice

Projeto Memória Moitará

Apresentação

Prefácio

O portal do inferno
Flávio Aguiar

Machado de Assis nos anos 1870, a preparação do romance realista
Salete de Almeida Cara

O pensamento machadiano e a política da hipocrisia
Liliana Liviano Wahba

Dom Casmuro e o retrato do país
Luiz Roncari

A marca social de um delírio
Gilberto Pinheiro Passos

Uma experiência enlouquecedora: uma leitura do conto “O espelho”
Marlene Bilenky

Machado de Assis e a música
Leniza Castello Branco

O espelho, a persona e o poder
Henrique Torres

Diálogo: o criador e a criatura
Flávio Aguiar e Ariclê Perez
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Ao Vencedor as Batatas

Autor: Roberto Schwarz.

No famoso ensaio de abertura, "As ideias fora do lugar", Roberto Schwarz reflete sobre a comédia ideológica nacional representada pela disparidade entre a sociedade escravista e as ideias do liberalismo europeu. Deste olhar teórico mais amplo, passa, no segundo ensaio, à análise detalhada de Senhora, apontando as contradições da ficção de Alencar. Fecha o volume uma longa reflexão sobre a prática do favor e os primeiros romances de Machado de Assis: A mão e a luva, Helena e Iaiá Garcia. Um dos pontos de partida deste livro foi o resgate crítico do processo histórico armado por Antonio Candido na Formação da literatura brasileira: o estudo das relações entre forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro. Publicado em 1977, Ao vencedor as batatas provocou uma reviravolta na crítica machadiana. Visto em perspectiva histórica, conferiu feição nova ao ensaísmo de esquerda, por seu alto grau de originalidade e grande poder de fogo.



FICHA DO LIVRO


Título: Ao Vencedor as Batatas
Autor: Roberto Schwarz

Editora: Editora 34
Páginas: 240

Gênero
Crítica Literária - Literatura Brasileira

ISBN
: 85-7326-169-2
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K.



  
 Ditadura militar, 1974. Um jovem casal, ela química, professora na Universidade de São Paulo, ele físico trabalhando em uma empresa, desaparece sem deixar o menor sinal. Pânico na família e nas amizades, buscas incansáveis, qualquer fiapo de informação reacendendo esperanças, sofrimento indizível com a agonia da incerteza. Mais tarde a realidade se impôs, trágica e definitiva: eram militantes da resistência e tinham sido sequestrados, torturados e assassinados. Talvez na "Casa da Morte", em Petrópolis? Nada foi confirmado e eles continuam na lista dos "desaparecidos".
Desaparecidos, mas não olvidados. Este livro não veio para registrar fatos do terrorismo do Estado, mas, sim, para nos colocar dentro da dor e da memória. O senhor K. é o protagonista, dilacerado em seu amor paterno e os sentimentos de culpa: como não percebera o que acontecia com a filha, ele que também fora um resistente judeu na Polônia natal? Na leitura, convivemos com as providências desesperadas da família, apelando no país e no exterior e aqui tendo que lidar com agentes da repressão, com informantes, com extorsões, com a mentira, o escárnio, a humilhação, a covardia, a crueldade. (...)
Maria Victoria de Mesquita Benevides
 
Acesse: http://pueblolivraria.com.br


FICHA DO LIVRO

Título: K.

Páginas: 177
Peso: 230 g


 ISBN: 978-85-7743-189-2
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O Cortiço


  Uma das mais importantes obras do Naturalismo no Brasil, este romance de Aluísio Azevedo trata do cotidiano de uma moradia popular no Rio de Janeiro em finais do século 19, período efervescente da formação urbana na então capital do Brasil. Como prefácio, está o já consagrado ensaio do Professor Antonio Candido “De cortiço a cortiço”.gentilmente cedido para esta edição
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FICHA DO LIVRO

Título: O Cortiço
Autores: Aluísio Azevedo

Editora: Expressão Popular
Páginas: 376
Peso: 452g

Gênero
: Literatura Brasileira

ISBN
:
978-85-7743-180-9
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Vozes da Ficção: Narrativas do Mundo do Trabalho

Autores: Claudia de A. Campos, Enid Y. Frederico, Walnice N. Galvão, Zenir C. Reis

  Este volume é composto por narrativas que versam sobre o homem imerso no trabalho, ou dele sendo retirado à força. Todos os autores são hoje considerados clássicos da literatura brasileira. Esta antologia conta com textos de: Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Euclides da Cunha, Coelho Neto, Afonso Arinos, Hugo de Carvalho Ramos, Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira, Inglês de Sousa, Alberto Rangel, Manuel de Oliveira Paiva e Aluísio Azevedo.

Acesse: http://pueblolivraria.com.br

FICHA DO LIVRO

Título: Vozes da Ficção: Narrativas do Mundo do Trabalho
Autores: Claudia de A. Campos, Enid Y. Frederico, Walnice N. Galvão, Zenir C. Reis

Editora: Expressão Popular
Páginas: 200
Peso: 253g

Gênero
: Literatura Brasileira

ISBN
: 978-85-7743-183-0


Veja abaixo a Reportagem publicada pela revista Caros Amigos abordando o debate em sala de aula e a condição de trabalho de diversos estudantes da Educação de Jovens e Adultos em Higeinópolis, durante a leitura do livro Vozes da Ficção:  Narrativas do Mundo do Trabalho.



Leitura compartilhada de narrativas literárias leva estudantes ao passado do mundo do trabalho

Por Cecília Luedemann

A reportagem da Caros Amigos acompanhou uma experiência de leitura compartilhada  com estudantes da Educação de Jovens e Adultos com o livro Vozes da Ficção - narrativas do mundo do trabalho, primeiro livro da Coleção Literatura e Trabalho (editora Expressão Popular). Como seria o contato dos alunos com os personagens trabalhadores do passado? Qual seria a reação diante dos estilos literários do século 19 e início do 20?
Essas questões surgiram depois da entrevista para a reportagem da Caros Amigos (edição 176/novembro)  com os coordenadores da Coleção Literatura e Trabalho, os professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, Cláudia de Arruda Campos, Walnice Nogueira Galvão e Zenir Campos, e a professora da Unicamp, Enid Yatsuda, com o editor Miguel Yoshida, na livraria da editora Expressão Popular, no bairro do Bixiga, em São Paulo.
Do Bixiga ao Higienópolis
À convite da professora de Língua Portuguesa, Solange Americano, seguimos para o curso de Educação de Jovens e Adultos, em Higienópolis, que funciona na escola Sion, no período noturno. Os estudantes trabalham como porteiros, empregadas domésticas, faxineiros, cozinheiros, entre moradores que protestaram contra a construção de uma estação do metrô para estes trabalhadores.
Acompanhamos a experiência de leitura compartilhada, proposta pela linha editorial da coleção, nos 6° e 9° anos com a professora de Língua Portuguesa, Solange Americano, que lê, interrompe para explicar e perguntar o que os educandos estão entendendo.
O texto que acompanha a Coleção Literatura e Trabalho explica a proposta: “(...)Algumas imagens de leitura, que não a do isolamento, aparecem em quadros e gravuras antigas: duas pessoas leem juntas o mesmo livro. E essas imagens não passam a ideia de compartilhamento forçado, mas de calorosa intimidade. Duas ou mais pessoas lendo o mesmo texto, ainda que cada uma tenha seu próprio exemplar em mãos, parece esbater a frieza ou insegurança de que alguns se ressentem na leitura inteiramente individualizada. Ler, interromper, comentar, perguntar, rir ou se emocionar em companhia podem ser meios estimulantes para o melhor aproveitamento, seja de um texto envolvente, seja de um texto que requisite maior esforço.”
Estudantes do 9º ano leem O ódio, de Manuel de Oliveira Paiva, conto publicado em 1887 na revista  A Quinzena,  do Clube Literário do qual foi fundador.
Segundo a biografia da coleção, o autor nasceu em Fortaleza em 1861 e morreu no Sertão do Ceará em 1892, aos 31 anos, tendo participado ativamente da campanha abolicionista com o jornal O Libertador, da Sociedade Libertadora Cearense. Sua melhor obra, Dona Guidinha do Poço, só foi publicada depois de 60 anos pela iniciativa da crítica literária Lúcia Miguel-Pereira.
Uma aluna lê: O ódio. Os alunos percebem já pelo título do conto que é uma história trágica com dois personagens com grande força simbólica. Convivem no mesmo porão do navio, o escravo e a onça enjaulada. A aluna lê: “Nessa noite, o negro notou um lume que boiava no escuro do oceano, como um pirilampo; e o seu pensamento, que por uma certa simpatia de gênios e de condição costumava a ater-se à onça presa, apegava-se agora a essa nonada fosforescente.” Os alunos utilizam o glossário para explicar que “nonada” quer dizer ninharia ou insignificância. A professora aproveita para perguntar: O que será aquela luzinha no meio do mar?” Cada um tem uma ideia. Cresce o suspense: “Assombrado pela incerteza do perigo, ele desceu, e voltou com um machado. No pescoço conservava o seu amuleto. Estava armado para o desconhecido. Fazia muito frio. Começou a espalhar-se um medo, insinuativo no meio da treva, e mais tarde o pavor.”
A educadora propõe: “Vamos visualizar a cena: dentro do navio, os oficiais chegam bêbados de uma festa no porto, o escravo preso com a fera, e a luz misteriosa que se aproxima de alto mar...”. Uma aluna pressente: “É a morte.” Prossegue a leitura compartilhada: “Ah! e a fera não teria direito ao salvamento? A desordem a bordo era insuperável. Um salve-se-quem-puder! E o possante bruto humano ergueu o machado e descarregou um golpe sobre a jaula. Ébrio de sua majestade, arriou novo golpe, e repetiu.”
Interrompida a leitura, a educadora pergunta: “ Por que o escravo quis libertar a fera?” A classe se envolve na discussão. A ideia da liberdade salta do livro para a sala de aula. Todos concordam que o escravo identifica-se com o tigre preso. A leitura avança, agora com um debate mais forte sobre o sentido do ódio: “Era ele quem tratava do tigre. Amava-lhe o rancor eterno. Achava-o formoso, tão dourado, tão liso, tão forte! Comprazia-se em matar-lhe a sede e a fome. Amava-o porque o bicho indicava ser insensível ao amor. E foi um grande prazer desaparecer da vida deixando em seu lugar um bruto que era uma concretização do ódio, humor necessário à vida social, como o fel à vida individual!”
Uma pergunta se fez: “O ódio é necessário?” Da visão simplista, de que mais vale o amor e a paz, o coletivo de alunos avançou para a discussão do ódio como forma de defesa da vida. O escravo, como o tigre, estava enjaulado. E o escravo admirava o ódio da fera, sua força, sua revolta.
O debate dividiu o coletivo, cada um argumentou sobre o seu ponto de vista, mas, aos poucos, um convencia o outro de sua posição. Mais um pouco e todos percebiam que a vida na sociedade de classes é mesmo complexa, envolvendo os sentimentos de amor e de ódio para a sobrevivência na vida social. Mas, a educadora voltou a colocar a situação do texto, lá no século 19, era o ódio à escravidão, o ódio a viver preso, o ódio para lutar pela liberdade.
Um aluno explica: “O escravo preferiu morrer, libertar a sua alma, libertando a fera.” Outra aluna comenta: “Ele guardava o ódio e conseguiu soltar o seu ódio, como a fera. É a lei da sobrevivência. Cada pessoa tem um animal dentro de si.” Outra aluna concorda: “Se mexerem com meus filhos, eu viro uma leoa.” Mas outros alunos lembraram que é preciso ter um equilíbrio: “Todo dia a gente fica no salve-se quem puder no transporte, na saúde, na moradia... Tem que ter amor, mas tem que ter ódio.” E outra aluna  complementa: “Muito ódio para defender nossos direitos. Não somos escravos e nem animais.”
Toca o sino. Próxima aula, 6º ano. Solange pede que os alunos formem duplas para a leitura compartilhada.
A proposta, agora, é ler a crônica Os Trabalhadores de Estiva,  de João do Rio, o João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto.
Como consta na biografia da coleção, João nasceu em 1881 e morreu em 1921 na cidade do Rio de Janeiro, aos 40 anos. Foi repórter e cronista da vida social carioca, fundador e diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (1917) e pertenceu à Academia de Ciências de Lisboa e à Academia Brasileira de Letras. A alma encantadora das ruas é uma de suas obras mais famosas.
“O que quer dizer estiva?” O estudante lê o glossário: “serviço de carga e descarga do navio.” A estudante inicia a leitura: “Às 5 da manhã ouvia-se um grito de máquina rasgando o ar. Já o cais, na claridade pálida da madrugada, regurtitava num vivem de carregdores, catraieiros, homens de bote e vagabundos mal dormidos à beira dos quiosques.” A educadora explica que João do Rio foi conhecer os trabalhadores do cais do Rio de Janeiro: “Acerquei-me do primeiro, estendi-lhe a mão:
    
- Posso ir com vocês para ver?
Ele estendeu também a mão, mão degenerada pelo trabalho, com as falanges recurvas e a palma calosa e partida.    
- Por que não? Vai ver apenas o trabalho, fez com amarga voz.”
O autor conversa com o trabalhador sobre esse trabalho de carga e descarga: “ – Aquela gente não cansa?
- Qual ! trabalham assim horas a fio. Cada saco daqueles tem sessenta quilos e para transportá-lo ao saveiro pagam 60 réis. Alguns pagam menos – dão só 30 réis, mas, assim mesmo, já quem tire dezesseis mil- réis por dia.”
Os alunos ficam horrorizados com as condições de trabalho dos estivadores: “Meu Deus!” Mas, logo em seguida, muitos se recordam que há ainda muito trabalho pesado como este. E acham muito curiosa a divisão do trabalho no porto: “(...) há estiva da aguardente, do bacalhau, do algodão; cada um tem os seus servidores, e homens há que só servem a certas e determinadas estivas, sendo por isso apontado.” A educadora pergunta: “Está dando para visualizar?” Cada um descreve a cena que está imaginando, o porto como um formigueiro, num vai e vem de estivadores que carregam e descarregam sem parar.
Atentos, ouvem o comentário de João do Rio sobre a organização dos estivadores: “Os homens com quem falava têm uma força de vontade incrível. Fizeram com o próprio esforço uma classe, impuseram-na. Há doze anos não havia malandro que, pegado na Gamboa, não se desse logo como trabalhador de estiva. Nesse tempo não havia a associação, não havia o sentimento de classe e os pobres estrangeiros pegados na Marítima trabalhavam por três mil réis dez horas de sol a sol. Os operários reuniram-se. Depois da revolta, começou a ase fazer sentir o elemento brasileiro e, desde então, foi uma longa e pertinaz conquista.” Todos se admiram de um escritor que elogia o trabalhador. E mais que isso: empolgam-se com a ideia da revolta e da organização dos estivadores. Com ouvidos e olhos atentos, comentam o trecho que chamou a atenção: “Fizeram com o próprio esforço uma classe.”  De repente, estão todos lá em 1908, no porto do Rio de Janeiro, emocionados com a conquista da dignidade do trabalhador.
E continua João do Rio: “ Que querem eles? Apenas ser considerados homens dignificados pelo esforço e a diminuição das horas de trabalho, para descansar e para viver.” A educadora interrompe e a leitura e pergunta: “Como está a jornada de trabalho, hoje?” Todos concordam que embora se tenha conquistado uma jornada de 8 horas por dia, o que vale na prática é muito mais de 10 horas, como a dos estivadores do início do século passado. Comentam sobre o trabalho sem registro, o trabalho terceirizado, a falta de reconhecimento dos direitos da trabalhadora doméstica, dos “bicos” sem nenhum tipo de regularização trabalhista.
A leitura segue emocionada: “Um deles, magro, de barba inculta, partindo um pão empapado de suor que lhe gotejava da fronte, falou-me, num grito de franqueza: - O problema social não tem razão de ser aqui? Os senhores não sabem que este país é rico, mas que se morre de fome? É mais fácil estourar um trabalhador que um larápio? O capital está nas mãos de grupo restrito e há gente demais absolutamente sem trabalho. Não acredite que nos baste o discurso de alguns senhores que querem ser deputados. Vemos claro e, desde que se começa a ver claro, o problema surge complexo e terrível. A greve, o senhor acha que não fizemos bem na greve? Eram nove horas de trabalho. De toda a parte do mundo os embarcadiços diziam que trabalho de estiva era só de sete! Fizemos mal? Pois ainda não temos o que desejamos.” De repente, a classe foi trazida imediatamente para o presente com a força da voz de um estivador em 1908 que critica as condições de trabalho, denuncia a acumulação do capital com o aumento da exploração do trabalhador, o oportunismo dos deputados ao serviço do capital e o direito de greve.
Ao final, João do Rio denuncia a morte de estivadores ainda jovens: “Um deles, porém, rapaz, quando o meu bote passava por perto do saveiro, curvou-se, com a fisionomia angustiada, golfando sangue. – Oh! Diabo! Fez o outro, voltando-se. O José que não pode mais!” A educadora pede que os alunos deem sua opinião sobre a crônica que foi lida. O primeiro explica, misturando com os sentimentos de revolta que sentiu ao ler a história: “ Não gostei, porque é uma vida sacrificada, não tem direitos trabalhistas, o pessoal que não serve mais é enxotado.” Outro concorda: “Os patrões não querem saber se ficamos inúteis com o trabalho.” Uma aluna negra questiona: “Não gostei, porque os estivadores negros trabalham mais.” Outra completa: “Os que trabalhavam no porão não eram lembrados, comiam pão seco.”  
A educadora pergunta sobre o que gostaram na crônica. Então, começam a lembrar do texto inteiro, não apenas do final. Uma aluna explica: “Na realidade, é a história do ser humano, do trabalhador que trabalha, trabalha e não tem nada.” Há quem recorda da associação e do direito de greve: “Legal, porque com a associação eles lutam para conquistar os direitos.” Todos concordam: “A união. Mostra a união.”
Uma aluna comenta a crônica lembrou muito a situação atual dos trabalhadores: “Gostei da história, porque mudou pouca coisa de antes para cá, os trabalhadores continuam mal remunerados.” Um aluno se recordou de profissões que separam os trabalhadores de suas famílias: “Tem pai que não vê os filhos, como o pescador que tem que ficar muito tempo em alto mar.” Outra aluna lembra de homem que tem que deixar família para conseguir trabalho: “Pai de família que vem para cá deixa viúva de marido vivo.”
Toca o sinal e a educadora propõe que os alunos escrevam uma redação para responder ao pedido de João do Rio: “Posso ir com você?” A ideia é levar o leitor para conhecer o trabalho dos alunos do curso de Educação de Jovens e Adultos, agora na voz dos próprios trabalhadores.  Selecionamos uma redação de cada profissão.
Faxineiro
“Meu dia de trabalho. Entro às 7 horas da manhã. Sou faxineiro. Desço o lixo e às 7h30 vou limpar os elevadores e limpar o salão às 8h50. Às 9h vou limpar as escadas. Desço às 11h e vou almoçar. 12h volto para trabalhar e limpar as escadas. Vou limpar até às 3h30 da tarde e colocar o lixo na rua. Às 4h termina o expediente. Depois, vou lavar carro até 6h da tarde. Aí é hora de vir para a escola.” Ademir
Empregada Doméstica
“Eu começo a trabalhar às 8h da manhã. Cuido de dois meninos chamados Rafael e Gabriel. Primeiro, dou mamadeira, depois escovo os dentes deles. Brincamos, depois arrumo as camas. Faço o almoço, dou banho, dou comida para eles, depois escovo os dentes deles. Às 11h, arrumo eles para irem à escola. Eu levo e busco. Depois, arrumar a casa, lavar e passar as roupas. Logo já tá na hora de busca-los. Aí começa tudo de novo até às 6h da tarde. Me arrumo para vir para a aula, caminho meia hora para chegar até a escola.” Helena
Porteiro
“Eu entro no trabalho às 5h da manhã para trabalhar. Durante o dia, eu trabalho de porteiro durante 8 horas. Eu tenho várias atividades na portaria: entendimento com as pessoas – de morador a cliente. Que legal, porque eu me divirto no meu trabalho. Eu abro a porta do elevador para os moradores. Eu ajudo em várias atividades. Falo com as pessoas a respeito do meu trabalho. E aprendo muito com as pessoas diferentes que entram para falar4 comigo. E a cada dia eu estou aprendendo com as pessoas sobre as várias religiões e sobre outros lugares e estados. Eu termino a minha carta aqui.” Assinado: Genival Francisco de Lima.
Cozinheiro
“Posso ir com você? Sim. Eu me acordo  às 6h para estar no trabalho às 7h30. Eu acordo cedo, porque eu gosto de assistir às notícias que passam de manhã nos telejornais. Eu chego lá e vou ajudar a preparar o almoço de outros trabalhadores como eu que saem logo de manhã.
O restaurante abre às 11h30 e há um movimento maior às 12h. Aí é a hora que eu mais trabalho. É uma correria só até às 2h da tarde. Mas, ainda tem mais, porque eu só saio às 4h da tarde, arrumando tudo para o outro dia bem cedo.” Gilson Ferreira Muniz
Trabalhadora Multiuso
“Oi, meu nome é Anaína. Meu dia de trabalho é um pouco difícil ou fácil demais. Começo a trabalhar às 8h da manhã, sou assistente de consultório dentário. Ajudo meu patrão na preparação de aparelhos para implante. Agendo consultas e faço parte da recepção. Sou quase multiuso: faço tudo. Saio às 12h pra almoçar, pego as filhas do meu patrão na escola. Volto às 13h e faço as mesmas coisas o dia inteiro. Saio do trabalho às 6h da tarde ou às vezes saio às 7h da noite para à escola, pois ainda depois de um dia todo de trabalho ainda estudo.
Ah... Eu durmo na casa dos meus patrões, pois fica muito tarde pra voltar pra casa. Sinto falta dos meus três filhos, mas tenho que trabalhar. Muitos acham o meu trabalho fácil, mas não é não. Não é fácil ficar longe dos meus filhos que tanto amo. Às vezes, trabalho como babá e empregada doméstica para meu patrão, outra semana como assistente.  
Meu dia como babá e empregada doméstica. Eu levanto às 6h, arrumo as crianças, pois elas estudam pela manhã. Pego elas às 12h. Tenho que preparar o almoço, limpar a casa, antes de elas chegarem. Depois levo as crianças para passear, volto e me preparo para a escola. Este é o meu dia de trabalho.
Meu nome é Anaina Santos Silveira, tenho 25 anos, sou estudante e sou mãe. O mais importante é que amo o meu trabalho, mas pretendo crescer muito mais. Pretendo um dia ir para a faculdade para cursar Pedagogia. Este é o meu sonho.”

Disponível em: http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/artigos-e-debates/2149-narrativas-sobre-trabalho.
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